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A
Sereiazinha

O conto de fadas que inspirou os estúdios Disney a criarem o desenho
animado A Pequena Sereia foi originalmente escrito originalmente
em 1836 pelo
dinamarquês Hans Christian Andersen (foto). Se você lê em inglês, o conto está
disponível no site
Hans
Christian Andersen.
Para lê-lo em Português, procure em qualquer biblioteca que tenha contos
infantis, ou baixe-o
aqui. O que eu tenho é a ótima tradução de Monteiro Lobato da
Editora Brasiliense, 1958. Foi com ela que fiz as citações abaixo.
Um breve
resumo da história:
Tudo começa quando a sereiazinha recebe autorização para ir à superfície
e salva o príncipe de um naufrágio. Contudo, o jovem príncipe nunca fica
sabendo que fora ela sua salvadora, ele pensa ter sido uma garota
humana. Melancólica, a sereiazinha vai até a bruxa do mar pedir que ela
a transforme em humana, em troca disso, a bruxa tira-lhe a voz, pois era
a mais bela voz do oceano.
Após a transformação, a sereia encontra o príncipe e passa anos muda em
sua companhia. Um belo dia, o príncipe reencontra a garota que ele
pensava tê-lo salvado e se casa com ela. A maldição da bruxa era que a
sereiazinha morreria se o príncipe se casasse com outra, então, suas
irmãs cortam seus próprios cabelos e os dão à bruxa em troca de um
punhal que devia ser enterrado no coração do príncipe para salvar sua
irmã mais nova.
Porém, para não morrer, a sereiazinha teria que matar o príncipe naquela
noite e deixar gotas do sangue dele caírem em suas pernas para que ela
voltasse a ser sereia. Não tendo coragem de matar seu amor, ela se
sacrifica e morre, se transformando em uma filha do ar que dali a 300
anos conseguiria uma alma imortal se ajudasse os outros.
Fatos
curiosos:
-
Ela não tem nome. Referem-se a ela apenas como "sereiazinha".
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Eram apenas seis irmãs e não sete como no filme.
-
Quando as sereias completavam 15 anos, recebiam uma autorização para
visitar a superfície.
-
Era a avó paterna que cuidava das princesas e não o rei.
-
As irmãs encorajam a sereiazinha a ir ver o príncipe.
-
A avó era especialista em coisas humanas e a sereiazinha sempre a
consultava.
-
O povo do mar vivia até 300 anos e quando morriam se tornavam espuma
do mar.
-
Não possuíam uma alma imortal como os seres humanos. O único jeito
de uma sereia conseguir uma era se apaixonarem por um humano e
fazê-lo se apaixonar por ela.
-
Ela vai procurar a bruxa do mar por livre e espontânea vontade.
-
A bruxa diz que a sereia é tola em querer ser humana que que irá
sofrer muito quando se tornar uma.
-
A bruxa corta a língua da sereia para impedi-la de falar e diz que
seduzirá o príncipe com seu "belo corpo e lindos olhos".
-
A família da sereiazinha vai visitá-la à noite no lago do palácio.
-
O príncipe realmente se apaixona por sua noiva humana e não é
hipnotizado como no filme.
Citações:
Como o conto é poeticamente belo, vale a pena ler algumas de suas
passagens. Note as semelhanças e diferenças entre o conto e o filme.
-
"Muito longe, em alto mar, a água é azul como o mais azul dos
miosótis e tão clara como o mais puro cristal. (...) Lá moram as
sereias, criaturas metade mulher, metade peixe".
-
"Era muito diferente das outras, essa sereiazinha". "Sua pele
mostrava-se tão delicada e macia como as pétalas das rosas, e seus
olhos azuis refletiam o azul mais profundo que existe no mar".
-
"Noites e noites passava em sua janela, a olhar o azul escuro das
águas, distraída em ver peixinhos rabanando por ali".
-
"O sol acabava de deitar-se quando ela emergiu. As nuvens, porém,
ainda estavam tintas de rubro e de ouro. Que esplendor de
crepúsculo! A atmosfera mostrava-se sereníssima. O mar, duma calma
absoluta."
-
"[No navio] ela viu um príncipe de olhos negros, aí de uns
dezesseis anos. Era seu aniversário que os do navio estavam
celebrando com aquela festa".
-
"Resolveu salvar o príncipe. Nadou em direção dele, com muito
cuidado para não ser ferida pelos destroços boiantes".
-
"Beijou então a testa do príncipe desmaiado e alisou-lhes os
cabelos".
-
"Vamos, irmãzinha - disseram-lhe um dia as sereias. Vamos subir à
tona de braços dados para ver o palácio do príncipe".
-
"Começou cada ver mais a afeiçoar-se aos seres humanos e a desejar
ardentemente viver entre eles, pois o mundo fora do mar lhe parecia
maior e mais belo que o do fundo do mar".
-
"Nossa alma não é imortal. Não temos depois de mortas uma vida nova"
- disse-lhe a vovó.
-
"Eu daria metade da minha vida para ser uma criatura humana por um
só dia e sentir em meu coração a esperança da vida futura".
-
"Por ocasião destas festas é que se podia avaliar o esplendor do
fundo do mar, esplendor como jamais se viu na terra".
-
"[A transformação] lhe causará tanta dor como se seu corpo fosse
atravessado por cem espadas. Em compensação ficará sendo a mais
linda moça da terra". - disse-lhe a bruxa.
-
"O príncipe, envelado, só lhe chamava 'minha querida'". "Tratava-a
como se fosse uma criança".
-
"Se eu fosse obrigado a escolher uma esposa só poderia escolher a
ti, minha querida mudinha de olhos tão expressivos!". - disse-lhe o
príncipe.
-
"-- Foste tu, sem dúvida, que me salvaste quando eu ia perecendo no
mar!". - Disse o príncipe à princesa do reino visinho que aparecera
diante dele no dia em que a sereia o salvou.
-
"As mãos da sereiazinha apertaram instintivamente o cabo da faca. Em
seguida lançou-a no mar."
-
"E com um último olhar ao príncipe amado, precipitou-se às águas,
sentindo seu corpo dissolver-se imediatamente em branca espuma".
-
"Mas as filhas do ar, embora não tenham alma imortal, podem obtê-la
por esforço próprio, praticando boas ações".
O que eu
achei:
Recomendo imensamente a todos os fãs do filme da Disney que leiam o
conto de H. C. Andersen.
Apesar de ser muitíssimo diferente do filme, a história é belíssima e
merece nossa atenção.
A personalidade sonhadora da sereiazinha está muito presente em Ariel,
mas a melancolia da primeira foi substituída pelo lado aventureiro na
sereia do filme.
Penso ser muito válido ler o conto original pois pode-se perceber também
o quanto a sociedade mudou desde quando ele foi escrito até quando a
Disney fez o filme. Eu fico muito feliz que o estúdio tenha dado um
final feliz à história pois senão seria um filme triste e sem diversão
alguma.
Muitos dizem que a Disney errou em mudar o final da história. Ora, se
Ariel realmente morresse como no conto, ninguém teria gostado desse
filme e ele não seria o sucesso que é hoje. Essa alteração em contos de
fada não é uma invenção da Disney. Ela vem sendo feita desde a lenda em
suas origens medievais, passando pelas mudanças renascentistas e
chegando até nós em forma de desenho animado.

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